A quarta trombeta do apocalipse

A quarta trombeta do apocalipse

A doutrina dos últimos dias é reconhecidamente complexa e repleta de teorias divergentes. Devemos reconhecer isso. Entretanto, isso não deve fazer que que não examinemos as questões que nos são apresentadas. Sobre o arrebatamento da igreja, por exemplo, há uma corrente evangélica que defende que tal evento ocorrerá quando ressoar a 4ª trombeta do apocalipse. 

 

Sobre o assunto, ao ser provocado por um leitor do site celeiros, perguntando sobre esse ensinamento, decidi aproveitar o que minha esposa Roseli já tinha escrito sobre o assunto, visto que ela é uma estudiosa da escatologia. Fiz pequenas inclusões e apresento, neste estudo uma visão coerente com os textos bíblicos que tratam da matéria.

 

Em 16 de maio de 2011.


A QUARTA TROMBETA DO APOCALIPSE E O ARREBATAMENTO DA IGREJA

 

Considerações preliminares

 

Inicialmente devemos saber que João escreveu o livro do apocalipse para todos os povos, raças e nações, aí incluídos tanto os judeus como os gentios - a Igreja.

 

O livro do apocalipse é um livro profético, resultado de uma gloriosa experiência que o apóstolo João teve enquanto estava preso na Ilha de Patmos, acusado de ”subversão religiosa”.  É um livro complexo e repleto de alegorias. Mas, para aqueles que gostam de estudar escatologia, esse é um livro indispensável.

 

Importante lembrar que, ao estudar este livro, devemos considerar que nem tudo possui sentido figurado. O que tem correspondência com coisas reais podem ser compreendidos literalmente. Por exemplo, um dragão com sete cabeças é uma figura, mas uma estrela é uma estrela mesmo. Deus não pretendia dificultar as coisas para a igreja, mas facilitar. Temos que lembrar que João viveu no primeiro século da era cristã, época que não se podia imaginar as coisas que hoje podemos reconhecer com clareza. Essa foi a razão de Deus ter apresentado muitos fatos com figuras que João podia identificar e descrever.

 

Este estudo não tem a pretensão de exaurir o tema, mas apenas de resumi-lo de modo didático e com linguagem simples para o entendimento de todos.

 

A sequência lógica dos capítulos até o arrebatamento

 

No primeiro capítulo João teve a visão do Senhor Jesus Glorificado, ou seja, Jesus como Rei e Juiz, com vestes talares, cabelos brancos como a neve, pés de bronze, voz de muitas águas e olhos de fogo.

 

No segundo e terceiro capítulos João escreve as sete cartas para as sete Igrejas da Ásia, as quais ele pastoreava antes de ser capturado e jogado na prisão de segurança máxima - Patmos.

 

Já no capítulo quatro, João é elevado aos céus, ele é arrebatado e de lá passa a descrever tudo que vê acontecendo aqui embaixo. Ele descreve suas visões vistas de cima para baixo, ou seja, do céu para o planeta Terra.

 

João vislumbra o Trono de Deus, os 24 anciões e o Ancião de Dias sendo adorado, exaltado e com um livro na mão. Esse livro tem sete selos e João chorava muito porque ele não via ninguém que fosse digno de abri-lo.

 

Mas, atenção! Não se trata do Livro da Vida, mas de um Livro contendo o juízo de Deus sobre a Terra: são maldições e pragas (“ais”) que serão despejadas na Terra, assim que a Igreja for arrebatada.

 

Sobre o arrebatamento, é bom destacar que há muita polêmica sobre o momento em que ele acontecerá, mas, nesse particular, cremos que a Igreja não passará pela Grande Tribulação.

 

Como pretendemos demonstrar neste estudo, no momento do toque da quarta trombeta, a Igreja do Senhor Jesus, constituída de todos aqueles que servem a Cristo em santidade e praticam sua Palavra e seus princípios, já foram arrebatados e já estão com o Senhor Jesus. João é a própria figura da igreja no céu (arrebatada), que ouviu um chamado e passou por uma porta aberta no céu para estar com o Rei na Sala do Trono e ouvir os acontecimentos, os juízos e o desfecho da história da humanidade.

 

“1 Depois destas coisas [relato sobre a situação da igreja ao longo da história – as 7 cartas], olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas. 2  Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado;” (Apocalipse 4:1-2 RA)

 

Apenas para esclarecimento, o local onde João está, e onde a igreja estará após o arrebatamento, é junto ao trono de Deus, de onde se pode ver os acontecimentos no planeta Terra. É diferente do lugar onde atualmente estão os mortos em Cristo. Hoje, quem morre, mesmo os salvos, não têm nenhum tipo de conhecimento ou contato com o mundo terreno (Ec 9:5-6).

 

Até aqui, já é possível notar que, de certa forma, tudo segue uma ordem cronológica, ou seja, o livro do apocalipse apresenta Jesus glorificado, mostra a situação da igreja ao longo dos séculos, anota o arrebatamento e, em seguida, o Livro dos Juízos de Deus é aberto pelo Leão da Tribo de Judá, revelando juízos a cada selo retirado.

 

Os sete selos do livro que ninguém era digno de abrir

 

O primeiro selo, o segundo, o terceiro e o quarto são quatro cavaleiros que, na verdade, se resumem em um só: o anticristo em suas quatro operações cronológicas.

 

No primeiro selo, o anticristo aparece com seu cavalo branco, trazendo a paz sobre a Terra.  Na verdade, uma falsa paz, ilusória, passageira, apenas para enganar e promovê-lo como líder mundial. Todos sabemos que a verdadeira paz, eterna, somente o Senhor Jesus pode dar.

 

Na retirada do segundo selo, o anticristo aparece montado num cavalo vermelho, para trazer a guerra sobre a Terra. Veja que a paz já acabou e começa uma guerra na Terra. Grande desordem, confusão, homens morrendo e uns matando os outros.

 

Com a retirada do terceiro selo o cavaleiro do cavalo preto (também, o anticristo) traz a fome e em seguida, no quarto selo ele aparece num cavalo amarelo, trazendo a peste para matar e aumentar o número de mortes por fome, pragas e outros ataques, a ponto de eliminar o que ainda restava do 1/4 (um quarto) da Terra que tinha autoridade para destruir.

Assim, foram abertos quatro selos.

 

Ao se abrir o quinto selo, João vê a alma daqueles que tinham sido mortos por causa da Palavra de Deus e seu testemunho clamando por vingança. Foi dito a eles que esperassem mais um pouco até que se completasse o número dos irmãos que ainda seriam mortos, da mesma forma que eles, ou seja, testemunhando do Senhor Jesus.

 

Aqui, podemos concluir que durante o Reinado do anticristo sobre a Terra haverá uma grande perseguição sobre aqueles que não foram arrebatados, mas que desejam ser salvos. Por isso o alerta: aqueles que perseverarem atém o fim serão salvos!

 

Aleluia! Há salvação depois do arrebatamento da igreja! Mas, será que um crente já instruído na palavra de Deus vai querer trocar a graça da “salvação por meio da fé” pela desgraça a ser vivida por aqueles que passarem pela Grande Tribulação?

 

A Grande Tribulação foi planejada justamente para salvar aqueles que não estavam devidamente preparados quando do evento do arrebatamento da igreja.

 

ATENÇÃO! Durante a Grande Tribulação a forma da salvação será muito diferente da que hoje conhecemos, pela graça de Deus! Aqueles que ficarem terão que passar pela ira de Deus preparada para cair sobre a Terra. Todos terão que enfrentar os juízos de Deus e o Reino do anticristo, que se instalará aqui com a ajuda do Falso Profeta e de mais 200 milhões de anjos demoníacos que serão soltos neste mundo. Se hoje as coisas já são difíceis, imagine com mais 200 milhões de demônios liberados? Mesmo assim, o capítulo 7 do livro do apocalipse revela uma multidão que não se pode contar sendo salva durante a Grande Tribulação – Aleluia!!! O que podemos perceber disso é que o alto nível de sofrimento aproxima o homem de Deus. Ademais, haverá naquele período um sinal que não poderá ser contraditado: O ARREBATAMENTO DA IGREJA. Este sinal, junto com a pregação poderosa que começará em Jerusalém com o ministério das duas testemunhas e se propagará pelo mundo inteiro, por meio dos 144 mil e do ministério do anjo do apocalipse 14.6, revela uma grande salvação sendo operada nessa época. É possível que neste período, proporcionalmente ao seu espaço de tempo, haverá um grande número de salvos como nunca presenciado em tão curto espaço de tempo. Isso nos mostra que tamanha tribulação e tanta desgraça será uma forma de Deus fazer sua última pressão sobre os homens para que eles se posicionem e se entreguem ao Senhor Jesus, uma vez que Ele não tem prazer na morte de ninguém – A MISERICÓRDIA DE DEUS. Em conclusão: a Grande Tribulação é um período de correção dos corações endurecidos pelo aumento do pecado, pela mornidão da fé dos crentes descomprometidos com o evangelho e da falta de consciência de Deus (ateísmo). No coração amoroso do Pai, este é um período para salvação, principalmente de Israel.

 

Então, o sexto selo foi aberto: vem sobre a Terra vários fenômenos da natureza, terremotos, eclipses etc. Este será o cenário nesta fase da Grande Tribulação: eclipses, tempestades, terremotos, tsunamis, furacões, tempestades, meteoros sendo despejados e caindo em chamas sobre as cidades e florestas, chuvas devastadoras etc. Parte de tudo isso que nós já estamos assistindo como pequenos exemplos serão potencializados no período da Grande Tribulação. Haverá catástrofes mundiais em todos os cantos da Terra.

 

Finalmente, na retirada do sétimo selo João vê sete anjos com sete trombetas.

 

Portanto, as sete trombetas estão inseridas no livro com os sete selos (o livro dos “ais” que ninguém era digno de abrir) e que João viu depois de ser arrebatado. O conteúdo do livro segue a seqüência dos acontecimentos, ou seja, começa a relatar o que acontecerá depois do arrebatamento.

 

Na verdade, as Sete Trombetas compõem o juízo de Deus que começou com a abertura do livro com os Sete Selos. É uma construção lógica! Os selos abertos apresentam todos os acontecimentos futuros e as trombetas detalham juízos específicos desse período.

 

Mais detalhes sobre a Grande Tribulação e sobre o anticristo podem ser obtidos em um estudo publicado no site celeiros no seguinte endereço: www.celeiros.com.br – Espaço Comum – “O livro do apocalipse – Um estudo simplificado”, de autoria do Pr. Carlos Augusto de Carvalho.

 

Vejamos, a seguir, o que acontece quando as trombetas do apocalipse começarem a soar.

 

AS TROMBETAS DO APOCALIPSE

 

Como vimos, na sequência de fatos narrados desde o início do livro do apocalipse, essas Trombetas são juízos de Deus que irão tocar durante a Grande Tribulação, embora neste nosso tempo já estejamos presenciando uma amostra do que acontecerá quando cada uma delas soar.

 

Com a simples observação dos acontecimentos mundiais, há séculos, o homem já pode conhecer o toque das trombetas. Quem não for arrebatado, poderá identificar com clareza o toque de cada trombeta, pois hoje mesmo já é possível conhecer o som de cada uma delas. O ensaio dessa orquestra já está acontecendo há muito tempo. Até mesmo quem desconhece a profecia bíblica já sabe que som sai de cada uma dessas trombetas.

 

As quatro primeiras dizem respeito à afetação da natureza. A quinta e a sexta dizem respeito à liberação de forças demoníacas e a sétima se refere a uma crise entre as nações que culmina com a volta de Jesus em Glória.

 

Portanto, hoje já devemos estar avisados. No capítulo 10 do livro de Números vemos que as trombetas eram tocadas para reunir o povo, para avisar sobre guerra e para acontecimentos especiais. Evidentemente, todo o povo deveria conhecer cada tipo de toque para que, quando ele ocorresse, todos pudessem identificá-lo.

 

A primeira trombeta

 

“O primeiro anjo tocou a trombeta, e houve saraiva e fogo de mistura com sangue, e foram atirados à terra. Foi, então, queimada a terça parte da terra, e das árvores, e também toda erva verde.” (Apocalipse 8:7 RA)

 

ATENÇÃO!

 

ESTAMOS ANALISANDO UM CAPÍTULO QUE FALA DE JUÍZOS PROCEDENTES DE DEUS E NÃO DE CONSEQUÊNCIAS DA AÇÃO HUMANA.

A destruição do verde é um fato que ocorrerá em um determinado momento como uma catástrofe vinda do céu e não como um progressivo desmatamento ou queimadas por razões comerciais.

 

Vejamos o que aconteceu quando veio uma praga do céu sobre o Egito. Na 7ª praga sobre os egípcios uma saraiva de pedras incandescentes veio do céu sobre a Terra e provocou uma grande destruição, tal qual o Egito nunca havia experimentado, senão vejamos:

 

“23 E Moisés estendeu o seu bordão para o céu; o SENHOR deu trovões e chuva de pedras, e fogo desceu sobre a terra; e fez o SENHOR cair chuva de pedras sobre a terra do Egito. 24  De maneira que havia chuva de pedras e fogo misturado com a chuva de pedras tão grave, qual nunca houve em toda a terra do Egito, desde que veio a ser uma nação.” (Êxodo 9:23-24 RA)

 

Agora, vejamos como é descrita a destruição decorrente do toque da primeira trombeta: “houve saraiva e fogo de mistura com sangue, e foram atirados à Terra”. O homem já experimentou muitas queimadas, mas quase todas provocadas por ação humana. Embora sirvam para que saibamos reconhecer o resultado do toque dessa trombeta, o fato real, quando acontecer, será um fenômeno da natureza, vindo do céu, e destruirá 1/3 (um terço) da vegetação “existente no momento”. Serão consumidas, por uma catástrofe, as árvores, a relva, as plantas frutíferas, as pastagens etc. Evidentemente que toda essa repentina destruição afetará toda a economia mundial. Por exemplo: se faltar pastos para o rebanho, consequentemente faltará carne, leite e seus derivados no comércio mundial.

 

Dizer que a 1ª trombeta já soou e continua soando é, no mínimo, uma forma de tentar afastar o texto bíblico que nos dá uma conta certa = 1/3 (um terço). Alterar este número é uma modificação do texto bíblico, o que ninguém, com temor a Deus, deveria fazer, senão vejamos:

 

“18  Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; 19  e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro.” (Apocalipse 22:18-19 RA)

 

Afinal, quanto da vegetação já foi destruída pela ação humana, desde a era dos descobrimentos e da expansão econômica? Quais florestas restaram depois dos desmatamentos provocados pelos interesses materialistas do homem? Certamente, muito mais que um terço do que o que existia no primeiro século da era cristã, quando João recebeu a profecia. Ora, se a bíblia diz 1/3 (um terço), isso significa 1/3 (um terço) e não 2/3 (dois terços) ou 50% (cinqüenta por cento). Não se pode fazer conta alguma nesse sentido sem um parâmetro, sem um ponto de referência.

 

Qual a referência para identificarmos o 1/3 (um terço) a que a bíblia se refere? Os mais investigativos saberão que só pode ser a referência do que existir no momento da catástrofe referida pelo verso 7 do capítulo 8 do livro do apocalipse: nem mais, nem menos, ou teremos que abandonar a bíblia como verdade absoluta.

 

Para quem gosta de trazer ensinos “além da letra” (Ap 22:18-19), não há limites para incluir na bíblia toda sorte de heresias, pois qualquer coisa pode ser qualquer coisa e não haverá mais parâmetros.

 

O que tem acontecido nos dias de hoje, e que já vêm acontecendo há muito tempo, são apenas amostras do que ocorrerá na Grande Tribulação. Fique atento! Se no nosso tempo em uma grande queimada, como a que aconteceu no ano de 2003, quando um incêndio terrível devastou florestas imensas na Europa, imagine como será quando 1/3 (um terço) de toda a vegetação existente for destruída em um curto espaço de tempo?

 

Se nos tempos modernos já estamos acompanhando um movimento ecológico preocupado com o meio ambiente, dadas as terríveis conseqüências da destruição paulatina das florestas, provocando a extinção de animais como o Tamanduá-Bandeira, a Anta, o Tatu-Canastra, o Lobo-Guará, a Cutia, a Capivara, o Veado-Campeiro, a Onça, o Guaxinim, o Mico-Leão-Dourado etc., imagine o quanto será sofrível ver tudo isso desaparecer durante a Grande Tribulação?

 

Mas, vamos insistir! Embora as conseqüências do desmatamento possam ser um ensaio do que acontecerá na Grande Tribulação, o que acontece desde o descobrimento das Américas e um uma coisa bastante diferente do que acontecerá quando a primeira trombeta soar realmente. Enquanto hoje assistimos a destruição do meio ambiente pelo homem, na Grande Tribulação a destruição virá do céu.

 

Apenas para que se perceba a diferença, o jornal “Correio Braziliense” publicou em 19/7/2004 a seguinte matéria: “Está escrito: cerrado desaparecerá em 2030”. O Cerrado perde 2,5 campo de futebol por minuto, enquanto a Mata Atlântica perde 4 campo por minuto. A Serra Elétrica trabalha numa velocidade incrível mesmo, mas por interesses comerciais e não divinos. O juízo de Deus ainda está por vir!

 

A segunda trombeta

 

 “8 O segundo anjo tocou a trombeta, e uma como que grande montanha ardendo em chamas foi atirada ao mar, cuja terça parte se tornou em sangue, 9  e morreu a terça parte da criação que tinha vida, existente no mar, e foi destruída a terça parte das embarcações.” (Apocalipse 8:8-9 RA)

 

Aqui temos que fazer a mesma observação que fizemos quanto à primeira trombeta. O juízo é uma ação de Deus e não uma ação humana. Vamos, novamente, fazer uma comparação com um juízo ocorrido no Egito no tempo de Moisés.

 

A PRIMEIRA PRAGA DO EGITO – Rio Nilo torna-se em sangue. Vejamos o texto bíblico:

 

“Disse mais o SENHOR a Moisés: Dize a Arão: toma o teu bordão e estende a mão sobre as águas do Egito, sobre os seus rios, sobre os seus canais, sobre as suas lagoas e sobre todos os seus reservatórios, para que se tornem em sangue; haja sangue em toda a terra do Egito, tanto nos vasos de madeira como nos de pedra.” (Êxodo 7:19 RA)

 

É fácil notar que quando Moisés obedece a Deus, tocando nas águas egípcias, ocorre um fenômeno sobrenatural e essas águas se tornam em morte (sangue), ou seja, toda sorte de seres viventes nas águas começam a boiar, formando um lençol de morte. Esta é a representação do que ocorreu naqueles dias: as águas transformadas em sangue, nada mais é que as águas cobertas pela morte dos seres aquáticos. Moisés não saiu praticando pesca predatória, não jogou petróleo nas águas, não fez testes atômicos nos oceanos e não afundou navios nucleares nos mares para promover a extinção dos seres vivos aquáticos e dar cumprimento à palavra de Deus. Foi a mão do Senhor que moveu o sobrenatural!

 

Nenhuma trombeta do apocalipse tocou até o presente momento. Toda a destruição do meio ambiente verificada até hoje na história da humanidade veio da ação humana. Mas a destruição a ser provocada no período da Grande Tribulação virá do céu.

 

Na Grande Tribulação, devemos observar que a segunda trombeta faz menção a um evento sobrenatural e não humanoAlgo muito grande, comparado a uma montanhacai do espaço e atinge o mar com tal violência que, além da contaminação que produz, matando 1/3 (um terço) dos seres vivos marinhos existentes naquele momento (águas em sangue), parece provocar um grande tsunami que se desloca para as zonas costeiras dos continentes destruindo 1/3 (um terço) das embarcações existentes naquele momento.

 

Um pouquinho de raciocínio é suficiente para que se perceba que não é possível afirmar que 1/3 (um terço), ou mais, das embarcações que já existiram no mundo até hoje estejam destruídas. Por que? Porque não temos o referencial. Afinal, um terço de quanto? De 10.000? de 100.000? De 1.000.000? Quantas embarcações já existiram até hoje? Quantas existem hoje? Já que não temos o referencial, é muita precipitação afirmar que 1/3 (um terço) das embarcações já tenha sido destruída. E essa é mais uma prova de que essa destruição ocorrerá em um mesmo evento, que poderá durar até durar algum tempo, já que o período de juízo da Grande Tribulação poderá, no máximo, ser de três anos e meio. Assim, nesse curto espaço de tempo, será possível determinar a quantidade de embarcações que vierem a ser destruídas por decorrência de um evento sobrenatural. Será 1/3 (um terço) do que existir naquele momento, por óbvio.

 

Ora, a maior prova de que as trombetas não tocaram é exatamente o fato de que estamos diante de um evento que ainda não ocorreu.

 

Mais uma vez é preciso esclarecer que toda a destruição da vida marinha já catalogada pelos pesquisadores do nosso tempo é apenas um sinal, para identificarmos como será o toque da trombeta na Grande Tribulação. A vida marinha já sofreu muito dano provocado pela ação do homem, mas ainda não sofreu o dano do juízo de Deus que virá sobre a Terra na Grande Tribulação.

 

Até hoje, muitos animais marinhos já foram extintos ou estão em extinção. Todo o prejuízo já catalogado na fauna marinha, a exemplo da ameaça de extinção do Peixe-boi, de baleias etc., foi causado pela ação humana e não por juízo de Deus. O mar vem sendo atingido por uma série de eventos humanos que têm causado vários danos ao meio ambiente, a exemplo de atividades predatórias, de vazamentos de produtos químicos, de vazamentos de petróleo de navios, de testes atômicos no oceano etc. Todos devem se lembrar do que aconteceu com a plataforma P‑36, da Petrobras, que foi para o fundo do mar em 2001.

 

A título de curiosidades, sabe-se que da Baleia tudo se aproveita: sua carne é usada em restaurantes finos, seu óleo e suas cartilagens servem de remédio, além de atender a indústria de cosméticos. É interessante que as baleias só dão à luz um filhote a cada 18 meses e no século passado 90% das baleias, cerca de 2 milhões já haviam sido exterminadas, segundo reportagem do Correio Braziliense de 19/7/2004. 

 

Mas, não é disso que a segunda trombeta trata. Embora as conseqüências da ação do homem tenham atingido o mar, isso é apenas um ensaio do que acontecerá na Grande Tribulação, quando a segunda trombeta soar realmente. A destruição do nosso tempo vem do homem, mas a da Grande Tribulação virá do céu.

 

A terceira trombeta

 

“10 O terceiro anjo tocou a trombeta, e caiu do céu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas uma grande estrela, ardendo como tocha. 11 O nome da estrela é Absinto [amargo]; e a terça parte das águas se tornou em absinto, e muitos dos homens morreram por causa dessas águas, porque se tornaram amargosas.” (Apocalipse 8:10-11 RA)

 

Agora a ira de Deus chega ao interior dos continentes:

 

As observações quanto às duas primeiras trombetas são as mesmas. Embora o homem tenha jogado muito esgoto nos rios, inclusive esgoto químico, procedente das grandes indústrias, isso é apenas um ensaio do toque da terceira trombeta, para que aqueles que ficarem saibam exatamente o que estará acontecendo. Como as demais, ela ainda não tocou.

 

O texto é bastante claro: depois que o anjo tocar a trombeta, vai cair do céu uma estrela, que virá do espaço sideral e ao entrar na nossa atmosfera se tornará incandescente e, talvez, se despedace e atinja as principais afluentes dos rios com alguma propriedade química ou radioativa que irá contaminar as águas potáveis, levando à morte um grande número de pessoas.

 

Para que tenhamos noção da angústia que virá sobre os homens com este juízo de Deus sobre as águas potáveis durante a Grande Tribulação, vamos lembrar que atualmente só existem 100 grandes rios no mundo. O Rio Amazonas é um dos mais extensos do mundo com 6.400 km. Nos Estados Unidos da América existem 30 grandes rios, sendo o principal o Mississípe com 6 mil km de extensão. Como se vê, basta que essa estrela caia no nosso continente, despedaçada ou não, e a profecia irá se cumprir facilmente.

 

Embora exista muita água na Terra (70% da Terra é coberta por água), desses 70%, 97% são de água salgada dos mares e oceanos, 2% são águas de geleiras e 1% é o que temos de água de água doce, potável ou não, já que boa parte já está contaminada pela ação do homem.  

 

Se em 2002, no Congresso realizado na Europa sobre água potável, já concluíram que até o ano de 2040 não haverá mais água potável natural no mundo, caso algumas providências não sejam tomadas, imagine só como ficará a Terra quando 1/3 (um terço) das águas potáveis existentes forem contaminadas pelo juízo de Deus. É melhor não querer ver isso de perto, não é mesmo?

 

A quarta trombeta

 

“O quarto anjo tocou a trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, da lua e das estrelas, para que a terça parte deles escurecesse e, na sua terça parte, não brilhasse, tanto o dia como também a noite.” (Apocalipse 8:12 RA)

 

Mais uma vez podemos notar que o universo está sendo balançado. Astros estão atingindo a Terra e também atingirão os luzeiros da nossa galáxia. Deus irá dar uma pequena sacudidela na nossa galáxia que, hoje, está em perfeito equilíbrio.

 

Veja que o Senhor Jesus, ao tratar do cerco de Jerusalém e de sua vinda em glória, após a Grande Tribulação, afirmou que este seria um período em que o universo estaria sofrendo um abalo.

 

“20 Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. 21  Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que se encontrarem dentro da cidade, retirem-se; e os que estiverem nos campos, não entrem nela. 22  Porque estes dias são de vingança, para se cumprir tudo o que está escrito. 23  Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande aflição na terra e ira contra este povo. 24  Cairão a fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles. 25  Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas [4ª trombeta]; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas [2ª trombeta - tsunam provocado pelo objeto que cairá no oceano]; 26  haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo [demais trombetas]; pois os poderes dos céus serão abalados. [1º a 4ª trombeta] 27  Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória [depois da Grande Tribulação]. 28  Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima.” (Lucas 21:20-28 RA)

 

Evidentemente, todas essas coisas não serão decorrentes da ação humana, mas fatos sobrenaturais, até explicáveis pela ciência, mas incontroláveis pelo homem. Tudo o que os moradores da Terra poderão fazer é procurar abrigo na palavra de Deus para tentar alcançar a salvação. Mas, é claro, isso não será nada fácil. Devemos lembrar que o anticristo estará no comando, procurando aniquilar qualquer tentativa do homem se socorrer em Deus.

 

Neste momento, a angústia e o caos já são quase insuportáveis, mas, não acabou. O pior ainda está por vir com o toque das três últimas trombetas – agora é a vez da liberação das forças demoníacas (5ª e 6ª trombetas) e da crise entre as nações (7ª trombeta) que culminará na volta de Jesus em Glória:

 

“Então, vi e ouvi uma águia que, voando pelo meio do céu, dizia em grande voz: Ai! Ai! Ai dos que moram na terra, por causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos que ainda têm de tocar!” (Apocalipse 8:13 RA)

 

Sobre as três últimas trombetas, sugerimos a leitura do trabalho publicado pelo Pastor Carlos Augusto, da CEEN, no seguinte endereço: www.celeiros.com.br – Espaço Comum – “O livro do apocalipse – Um estudo simplificado”, já que este estudo tem escopo específico: mostrar que a quarta trombeta nada tem a ver com o arrebatamento da igreja.

 

A igreja cristã maranata e a quarta trombeta

 

O que diz a Igreja Cristã Maranata sobre a quarta trombeta? Ela acredita que a igreja será arrebatada ao soar a quarta trombeta. Para nos certificarmos disso, basta observarmos um texto publicado pelo Pastor Gedelti Gueiros[1], presidente da igreja, que diz o seguinte sobre a quarta trombeta:

 

O Senhor Jesus se referiu a tal momento citado no evangelho de Mateus 24:29, acontecimentos que estão inseridos na quarta e última trombeta para a Igreja (Ap 8:12). Compare os textos:

"E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, a Iua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu, e as potências de céus serão abaladas." (Mt 24:29)

"E o quarto anjo tocou a trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas para que a terça parte deles se escurecesse e a terça parte do dia não brilhasse, e semelhantemente a noite. (Ap 8:12)

"Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados." (1 Co 15:52)

O derramamento do Espírito Santo ou o fogo do altar jogado sobre a terra é o preparo da Igreja para ouvir o toque da última trombeta, já que as três primeiras não foram ouvidas, apenas sentidos os resultados, sinais visíveis, e agora percebidos com clareza. (o grifo não consta do original)

 

Como visto, parece que o autor do texto procura defender uma tese pouco aceita pelos estudiosos de escatologia. Poucos o acompanham nesse entendimento.

 

Mas, vamos tentar entender essa questão. Para tanto, vejamos o que diz todo o texto de Mateus 24, na parte que foi utilizado pelo autor:

 

“28 Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres. 29 Logo em seguida à tribulação daqueles diaso sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. 30 Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória. 31  E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.” (Mateus 24:28-31 RA)

 

Note-se que o autor não dá ênfase e nem explica as partes do texto que grifamos. Não faz isso porque, para tanto, teria que admitir que a igreja passaria pela Grande Tribulação (“em seguida à tribulação daqueles dias”) e a doutrina da ICM ensina que a igreja será arrebatada antes da Grande Tribulação.

 

Pois bem, como nós vimos anteriormente, um pequeno desequilíbrio da nossa galáxia será capaz de provocar o lançamento sobre a Terra de meteoros (saraiva de pedras em chamas), de grandes pedaços de corpos espaciais (do tamanho de uma montanha ardendo em chamas), bem como de uma estrela contra o nosso planeta. E esse evento também atingirá os luzeiros no espaço, mas tudo isso durante a Grande Tribulação (Ap 8:7; Ap 8-9; Ap 8:10-11; Ap 8:12; e Lc 21:20-28).

 

É exatamente por isso que o texto de Mateus, ao se referir à vinda de Jesus (não ao arrebatamento) diz claramente que isso ocorrerá depois (em seguida) dos primeiros acontecimentos. Quais? As primeiras tribulações já experimentadas pelas três primeiras trombetas.

 

Dizer que Jesus arrebatará a sua igreja neste momento é defender que ela passará por uma boa parte da Grande Tribulação. Ora, Jesus afirmou que sua vinda em glória só ocorrerá depois de tudo isso. Depois, inclusive do evento que ocorrerá na quarta trombeta.

 

É só prestar bastante atenção no que está escrito:

 

“os poderes do céu serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem...

 

O sinal do filho do homem só acontece depois do evento que abalará os luzeiros do mundo. Assim, não se pode afirmar que a igreja será tirada antes. No máximo, poder-se-ia dizer que a igreja seria tirada depois do toque da quarta trombeta.

 

Mas nem isso o texto de Mateus nos permite deduzir, já que no mesmo texto Jesus disse que na sua vinda (de Mt. 24:28-31), “todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória...”. e isso só acontecerá depois do toque da sétima trombeta.

 

O ARREBATAMENTO DA IGREJA

 

O arrebatamento é a retirada imprevista e repentina da Igreja deste mundo, pelo poder de Deus, para que, trasladada às regiões celestes, esteja para sempre com o Senhor Jesus. O Novo Testamento dedica duas passagens ao arrebatamento da Igreja: 1Co 15 e 1Ts 4. Em 1Ts 4, Paulo descreve o rapto dos santos; em 1Co 15 mostra como nossos corpos serão glorificados.

 

Ora, já que sabemos que o arrebatamento acontecerá num piscar de olhos, de modo instantâneo, trata-se de um evento impossível de ser contemplado. A igreja só verá Jesus quando encontrá-lo no céu. E os povos da Terra que não forem arrebatados? Evidentemente, esses não o verão, apenas terão a notícia do desaparecimento de várias pessoas.

 

“51 Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, 52  num momento, num abrir e fechar de olhos [piscar de olhos], ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1 Coríntios 15:51-52 RA)

17 depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. 18  (...)  o Dia do Senhor vem como ladrão de noite.” (1 Ts 4:17-18 RA)

 

Se o arrebatamento é algo instantâneo, o texto de Mateus 24:30 não pode estar se referindo ao arrebatamento da igreja, mas à vinda de Jesus em Glória, ao final da Grande Tribulação, no monte da oliveiras (Zacarias 14.4), local em que o salvador aparecerá sobre as nuvens do céu e todo o olho o verá. Nesse evento, o filho do homem virá visivelmente resgatar o seu povo e livrá-lo do cerco das nações. No mínimo, todo o mundo estará acompanhando pela televisão o cerco aos judeus quando Jesus aparecer com poder e muita glória.

 

30 Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória.” (Mateus 24:30 RA)

 

Outro fato que nos mostra que o texto de Mateus 24:28-31 não se refere ao arrebatamento da igreja é que sabemos que mesmo com o arrebatamento da igreja os povos da Terra não reconhecerão Jesus, não se arrependerão e não se lamentarão. A vida continuará do mesmo modo, apesar do sofrimento que se seguirá pela perda de entes queridos. Mas, os povos da Terra seguirão normalmente suas vidas. Depois do arrebatamento, o mundo não aceitará Jesus, mas o anticristo, nos primeiros três anos e meio de paz e harmonia. Quem lê o livro do apocalipse sabe disso.

 

Por tudo isso, pouquíssimos são os que defendem que Jesus voltará durante o toque da quarta trombeta. Essa é a hipótese menos provável de todas. Até porque esse entendimento traz uma situação inconciliável. Não há como afirmar a volta de Jesus durante a quarta trombeta sem admitir que a igreja passará pelo menos por boa parte da Grande Tribulação. Quem defende esta tese tem que escolher uma das seguintes alternativas, para manter a lógica: a) se Jesus vem no toque da quarta trombeta, então ele vem durante a Grande Tribulação; b) se Jesus vem antes da Grande Tribulação, então ele não pode vir com o toque da quarta trombeta. Um exclui o outro.

 

Deixando a lógica de lado, apenas para tentar entender as razões daqueles que defendem que Jesus voltará no toque da quarta trombeta, vemos que essa tese só é possível:

 

  1. caso as três primeiras trombetas já tenham tocado;
  2. se o toque das trombetas são provenientes de uma ação humana e não de um juízo divino;
  3. se admitirmos que a última trombeta não é a sétima, mas a quarta.

Como vemos, todas essas possibilidades são explicitamente contrárias à palavra de Deus, nos temos registrados no livro do apocalipse. Por quê?

 

Porque:

  1. os números não batem. Ao contrário, passam muito longe do 1/3 (um terço) predito no apocalipse. Tudo o que se catalogou de destruição até hoje não pode ser considerado 1/3. Em 17 de Setembro de 1970, o jornal “O Globo” publicou declarações do cientista oceanográfico Jacques Costeau – que acabara de chegar de uma viagem de pesquisa da vida submarina, tendo percorrido 2.500 Kms a bordo do seu navio oceanográfico Calipso durante 3 anos – celebrando o feito com diversas manchetes surpreendentes, tais como: “O mar está moribundo”, “40% dos seres vivos no mar desapareceram nos últimos 50 anos”, “Mais de 1.000 espécies já foram extintas”. Ora, 40% é mais que 1/3 (um terço), somente nos últimos 50 anos. Qual seria o referencial? Deveria ser o primeiro século? Então, qual o percentual de morte marinha até hoje? Certamente, muito mais de 1/4 (um quarto).Também, ninguém tem idéia de quantas embarcações foram destruídas desde o primeiro século da era cristã. Desde o descobrimento das Américas, florestas inteiras foram destruídas, em proporção bem maior do que os 1/3 (um terço) predito por João. Logo, admitirmos que as três primeiras trombetas já tocaram é admitir que Deus não sabe fazer contas ou que não está comprometido com a palavra que disse, o que não é verdade, segundo Jeremias 1:12 e Mt 24:35;
  2. toda a destruição até agora executada é indubitavelmente pela ação humana e não por um juízo de Deus que, segundo o livro do apocalipse, acontecerá em um determinado momento, como um evento procedente do céu. Logo, defender que as três primeiras trombetas já tocaram é “acreditar no que se quer acreditar”, desconsiderando-se o que está literalmente escrito no livro do apocalipse;
  3. dizer que a última trombeta é a quarta é simplesmente uma afronta ao texto bíblico. Deus não está brincando com sua igreja de “esconde-esconde” e não diz uma coisa querendo dizer outra apenas para criar confusão – Deus não é Deus de confusão. Todo o conjunto alegórico do livro foi um modo de tentar fazer que a mensagem pudesse ser entendida no futuro, já que naquele tempo João não poderia ter a menor idéia do que eram aquelas coisas. Deus queria facilitar e não complicar. Assim, o argumento “além da letra” nada mais é que uma desculpa para se fazer da bíblia o que se quer, mesmo quando a interpretação contraria frontalmente o que está escrito.

 

Agora, antes de prosseguirmos, vamos fazer uma afirmação que somente os estudiosos da escatologia entendem: “O LIVRO DO APOCALIPSE NÃO TRATA DO ARREBATAMENTO DA IGREJA! APRESENTOU-O COMO MERO DETALHE CRONOLÓGICO”

 

Como vimos no início, no primeiro capítulo João teve a visão do Senhor Jesus Glorificado, no segundo e terceiro capítulos João escreve as sete cartas para as sete Igrejas da Ásia e logo em seguida, depois de apresentar Jesus e a igreja, João é elevado aos céus, ele é arrebatado. Daí em diante, todo o livro é dedicado a mostrar os fatos pertinentes aos juízos de Deus e à salvação daqueles que não foram arrebatados.

 

Somente depois que entendemos isso, podemos perceber que os únicos dois textos que falam do arrebatamento da igreja no Novo Testamento, fazem menção a trombetas diferentes das que são tratadas no livro do apocalipse. É bom lembrar que Paulo escreveu ao Coríntios e aos Tessalonicenses quase cinquenta anos antes que o livro do apocalipse fosse escrito por João. Ora, temos dois apóstolos em épocas diferentes tratando sobre questões distintas.

 

Logo, a última trombeta a que Paulo se refere não tem nenhuma relação com as trombetas do apocalipse. Muito menos com a quarta. Defender que a última trombeta é a quarta, como querem alguns, é torcer demais o texto bíblico. Afinal, “última é última” e “quarta é quarta”.

 

E é exatamente isso que nos leva a compreender que as trombetas do apocalipse não estão relacionadas com as trombetas das cartas de Paulo. No livro do apocalipse, a última trombeta é a sétima e não a quarta. Se a última fosse a quarta, seria muito simples ao Espírito Santo dizer isto pela vida de Paulo quando ele escreveu aos coríntios. Bastava dizer o seguinte: “ao ressoar da quarta trombeta...” Como já dissemos, Deus não é Deus de confusão.

 

“52 num momento, num abrir e fechar de olhosao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” (1 Coríntios 15:52 RA)

 

Para que não se imagine que esta é uma posição isolada, vamos transcrever o que os comentaristas escatológicos N. Laurence Olson e Adam Klarke já falaram sobre o assunto:

 

 “A trombeta de 1° Co. 15.51 e a sétima trombeta do Ap.10.7 e Ap.11.15-19 não são idênticas. A trombeta de 1° Cor. 15.52 tem a ver com o mistério do arrebatamento da igreja, assunto que Paulo tratou ao escrever a primeira carta aos Tessalonicenses 4.16-17. O soar dessa trombeta é coisa instantânea, ao passo que a trombeta mencionada em  Ap. 10.7 e 11.15-19 é de juízo sobre a terra. É relacionada ao mistério de Deus, de amplitude muito vasta, abrangendo até o desfecho final do grande plano milenar de Deus, que reúne o reino milenal de Cristo, o juízo das nações, o galardão dos crentes, a ressurreição dos últimos grupos de ressuscitados durante a Grande Tribulação, e mesmo a ressurreição dos incrédulos, ou seja, a segunda ressurreição. O que se nota a respeito dessa trombeta é que ela representa um período de tempo e não apenas um toque instantâneo, como é o caso da outra trombeta em 1° Cor. 15.52. A referência de Ap. 10.7 diz: ... nos dias da voz do sétimo anjo...” Esses dias incluem realmente as sete taças da ira de Deus e levam-nos até  ao cap. 20 do Apocalipse. Mas a trombeta de 1° Cor. 15.52 soa antes da Grande Tribulação”. (os grifos não constam do original)

Adam Klarke sugere que Paulo, ao descrever a ressurreição, lançou mão duma fraseologia puramente judaica, pois os rabinos ensinavam que a ressurreição realizar-se-ia numa série de toques de trombeta. O sétimo seria quando os mortos se levantariam revestidos de corpos celestiais. Por essas razões, opino que seria forçar a interpretação dessas passagens dizer que a última trombeta mencionada por Paulo em 1° Cor. 15.52, seja a mesma trombeta de que fala João em Ap. 10.7 e ll.15-19, ensino que teria como alvo indicar que o arrebatamento da igreja e a ressurreição dos mortos crentes (a primeira ressurreição) se realizaria  no meio da Tribulação ou mesmo depois da mesma.[2]” (os grifos não constam do original)

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Sugerimos que o leitor seja como os crentes de Bereia, examinando os textos bíblicos e refletindo sobre eles com oração e sinceridade de coração, para que Deus possa iluminar as mentes e corações e afaste de todos a prática da heresia.

 

Especialmente para quem utiliza o arrebatamento da igreja como inspiração para a evangelização, é indispensável o conhecimento da escatologia, para que não venham a ser envergonhados.

 

De modo complementar, sugerimos a assinatura da revista “Chamada da meia noite”, que é escrita por estudiosos da escatologia, bem como a leitura do estudo preparado pelo Pastor Carlos Augusto, da Comunidade Evangélica Entre as Nações, no seguinte endereço: www.celeiros.com.br – Espaço Comum – “O livro do apocalipse – Um estudo simplificado”.

 

É importante lembrar que a única segurança que temos no mundo espiritual é andar exatamente como nos ensina a palavra de Deus – “sem tirar nem por”, a exemplo do que Deus disse a respeito do livro do apocalipse:

 

“18  Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; 19  e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro. 20 Aquele que dá testemunho destas coisas diz: Certamente, venho sem demora. Amém! Vem, Senhor Jesus! 21  A graça do Senhor Jesus seja com todos.” (Apocalipse 22:18-21 RA)

 

É muito arriscado andarmos praticando doutrinas acrescidas à palavra de Deus ou abraçando distorções de textos bíblicos para adequá-los à nossa forma de evangelização. Essa é a fonte de todas as heresias até hoje noticiadas e que se utilizam da bíblia como referência. Se há alguém que tem grande interesse no erro e na destruição do crente, não é Deus.

 

“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” (Oséias 4:6 RA)

“Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus.” (Mateus 22:29 RA)

 

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.

 

Em 29 de abril de 2011.

 

Roseli Mª de Carvalho Fonseca Pereira


[1] Segundo consta do rodapé da matéria, Gedelti V. Gueiros é professor aposentado da UFES, pós-Graduado em Didática do Ensino Superior e professor de Análise e Escatologia Bíblica.

 

[2] Citação constante do Trabalho de Conclusão de Curso do Pr. Carlos Augusto de Carvalho, Curso Superior de Teologia, do UNIECO – Instituto Evangélico do Centro Oeste, Bacharel em Teologia. Pag. 57 – publicado em: http://www.celeiros.com.br/arquivos/Espa%E7o%20comum/Carl%E3o/O%20livro%20do%20apocalipse%20-%20Um%20estudo%20simplificado.pdf.

 

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